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Quem nunca sonhou em dançar quadrilha quando estava no primário? Com o passar dos anos, esquecemos um pouco essa dança tradicional brasileira. Eu não gostava muito, principalmente por ter na cabeça a ideia daquela coreografia que a gente aprende na escola. Neste mês de junho tive o prazer de conhecer mais de perto algumas quadrilhas profissionais nos primeiros fins de semana da 21° Festa Junina da ONG Ação Moradia, que acontece na Praça Sérgio Pacheco, em Uberlândia – ao lado do Terminal Central.

Confesso, meu conceito de quadrilha mudou bastante desde que vi as apresentações das quadrilhas Fala Uai, Forrozarte, Nova Geração e Chic Chic. Eles costumam dizer que fazem parte do movimento de “quadrilhas estilizadas”. Segundo Eliana Setti, idealizadora da Festa Junina, isso nada mais é que uma dança ousada, com desenhos coreográficos, que dão uma modernidade aos passos e ritmos tradicionais.

Infelizmente, ainda há pouco entendimento das pessoaos sobre o que é a quadrilha. Guilherme Borges, publicitário de Uberlândia, conta que não gostava da arte, só dançava na escola por ser obrigado. “Nunca me interessei por quadrilhas juninas antes, mas depois que eu conheci [as quadrilhas] na Festa Junina da Ação Moradia, eu comecei a curtir, me lembrou muito o carnaval”, diz ele ao relatar que, atualmente, ao invés de ir pelos shows, vai ao evento pela quadrilha.

Diferente dele, Cristiane Francisca se apaixonou pela dança aos sete anos, quando entrou em uma quadrilha mirim da paróquia. Atualmente, ela saiu de frente aos holofotes para ficar nos bastidores, ajudando o grupo Nova Geração de Sabará-MG. “Sinto muita vontade de dançar, fico com os pés coçando, mas o grupo precisa de uma organização, de alguém que garanta que tudo dê certo para passarmos, através da dança, o nosso amor pelo São João”, conta ela.

Por pessoas como o Guilherme é que Eliana Setti resolveu criar em 2011 o Concurso Anarriê, que dá destaques aos melhores grupos do ano e ajuda a propagar cultura na cidade. Há seis prêmios no festival, o de Melhor Coreografia, Melhor Figuniro, Melhor Noivo, Melhor Noiva, Melhor Torcida e Melhor Quadrilha Junina. “A cultura quadrilheira ainda não tem grande apoio do governo em certas regiões, como Minas Gerais. Quem realmente tem apoio é o Nordeste, lá há mais de 700 grupos de quadrilhas”, explica ela, dizendo que o Brasil ainda precisa reconhecer os grupos como parte da cultura do país.

Mas, a falta de amparo do governo não é problema para os quadrilheiros apaixonadas pela arte. “Nossos governantes ainda não dão valor a essa tradição, mas dançamos por amor a esta cultura mesmo e lutamos por reconhecimento em todos os âmbitos”, conta Cristiane ao lamentar que muitos grupos acabam parando por falta de apoio.

Eu cresci fazendo balé, sou suspeita para falar que adoro ver coreografias de danças, mas as quadrilhas realmente tem um cantinho guardado no meu coração agora e sempre que eu puder, vou querer assistir uma apresentação. É incrível, as roupas, os passos, tudo é tão lindo e bem pensado na coreografia e o melhor é que eles estão sempre passando uma história. As quadrilhas representam um casamento caipira, então sempre escolhem um tema que tenha a noiva, noivo, convidados e um padre para dançar. É encantador!

E pra quem está curiosa para ver as quadrilhas juninas, neste sábado (17) tem o 7° Festival de Quadrilhas na Festa Junina da Ação Moradia. Quatro grupos vão concorrer ao prêmio de melhor coreografia. Estarei lá e espero vocês a partir das 18h. 😉

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