Tag: ‘Colorindo na estrada’

17 . setembro . 2016

[Você pode ler esse texto ao som de It’s Not Too Late – Demi Lovato]

“Se algo de bom acontecer, faça uma viagem para comemorar.

  Se algo de ruim acontecer, faça uma viagem para esquecer.

  Se nada acontecer, faça uma viagem para que algo aconteça.”

Em meu tempo de viajante, durante uns dias que fiquei sem internet, pensei muito nisto: O que é viajar?; Por que viajar?; Por que me sinto diferente dos turistas com a câmera no pescoço fazendo excursão (porque também tenho a câmera no pescoço e estou na mesma excursão e pra falar a verdade não tenho nenhum pudor de fazer um tanto de turismo quando alcança o dinheiro)?

Ora, viajar tira o chão da nossa segurança imaginária, da ilusão da estabilidade.

É a vida aos gritos.

É, convenhamos, um exagero.

Vê: não digo que viajar seja melhor do que não-viajar, o que conto são as minhas conclusões, que é o que eu posso contar, afinal.

Porque concluí que não quero viajar pra ver lugares, pra conhecer gente, pra acumular paisagens e fotografias. Claro que continuarei fazendo tudo isso, até porque que ótimo ver lugares e conhecer gente, mas, antes de tudo, quero viajar pra estar.

Porque pode-se estar em um lugar ou em outro, o mundo é enorme, há lugares lindos por todo lado; há gente interessante pra se descobrir em qualquer cidade: todos os lugares são lugares.

Me lembro de estar sentada no topo de algum morro olhando a vista com o vento na cara e alguma companhia dessas que a gente vai encontrando pelo caminho e com dois dias de convivência parece amizade de dez anos e me lembro de sentir que nada precisava mudar, e que bom estar ali, não querer mudar nada, não querer que o tempo passe mais devagar ou mais rápido.

Estar, e só isso.

E nessa tranquilidade pensar talvez o quanto é incrível a sucessão de momentos, um atrás do outro, sem parar.

Porque sim: lugares e conhecer, mas de que me serve tudo isso se não posso estar nos lugares? e se não estou nos lugares, no momento, estou… onde? Mais ainda porque enquanto viajava não tinha data pra voltar, porque afinal também na vida não existe data de retorno. A vida é tipo uma viagem só de ida (desculpa o clichê, ele escapou de meus dedos e se enroscou no texto).

Nos resta estar presente no único momento em que podemos estar presente;

em qualquer lugar.

Por isso viajar como hipérbole da vida: viajar escancara o que no dia a dia da não-viagem a gente tende a deixar passar pela sutileza da apresentação.

que não estamos seguros;
que não estamos sozinhos;
que somos todos iguais;
que o que vale é o presente;
que todos os dias são diferentes.

e principalmente esse último item: todos os dias são dias, todos os momentos são momentos.

Pelo exagero: viajar é mudar de cenário com frequência, buscar hospedagem, conhecer gente, confiar em desconhecidos. Mas a verdade é que também na vida da não-viagem os dias não se repetem nunca, e talvez faça mais sentido viver a rotina com os olhos abertos de quem empreende uma viagem: acreditando que sempre se enfrenta um novo dia, um novo momento.

Também porque viajar é encontrar o desconhecido (em menor ou maior grau) e aprender que somos todos iguais apesar das diferenças. saber-se um estranho tanto quanto pensamos o outro como estranho. pensar que talvez “estranho sou eu”.

Nesse sentimento da estranheza somos todos humanos.

Numa conversa com um amigo argentino, quando estava no interior do Uruguai, comentei que não sabia se seria capaz de viver com a indefinição, com nunca saber o que vai ser o mês que vem, com a insegurança de não ter algo fixo em que me apoiar, que talvez devesse me estabilizar, ter uma casa etc. Ele me disse que mesmo na rotina da cidade e do emprego fixo o que temos é só uma ilusão de estabilidade; no mês seguinte pode faltar o emprego, a casa, um amigo. Podemos ser obrigados a recomeçar.

Viajar só explicita a verdade que na vida da não-viagem a gente se recusa a ver.

Tudo isso porque lendo “The Tao of Travel”, do Paul Theroux, no capítulo sobre ficar em casa (um capítulo sobre não viajar num livro sobre livros de viagem) topei com a declaração de um monge budista que abriu mão de tudo e não saía de casa:

“Desde que eu abandonei esse mundo e rompi todos os laços, eu não senti medo e ressentimento. Eu me comprometi minha vida com o destino sem desejos especiais de vida ou desejo de morrer. Como uma nuvem flutuando, eu não tenho ligação e nem dependo de ninguém. Meu único luxo é um sono profundo e tudo que eu vejo a frente é a beleza das mudanças de estações.”

E pensei claro, óbvio: viajar pra preencher um vazio de lugares a serem vistos não faz o menor sentido, viajar pra acumular fotos e lembranças não faz o menor sentido. Claro que se pode fazer isso e claro que eu gosto de tirar mil fotos e costurar as bandeirinhas dos países que visitei na minha mochila, mas essa pode ser a razão para se viajar.

A única razão possível pra viajar deveria ser a mesma que nos faz acordar e ir trabalhar: viver o dia.

Porque viajar pode ser lindo, e fica mais lindo ainda quando a gente aceita os acontecimentos e se adapta a eles e segue adiante. Os viajantes que estão sempre insatisfeitos (com a qualidade da cama, com o tamanho do pão no café da manhã, com o atraso do guia, com o atraso do ônibus, com a poeira da estrada) não estão vivendo porra nenhuma. A viagem vai ser boa, talvez, no momento em que estiverem em casa mostrando as fotos pros amigos.

A questão é que viajar pode ser lindo tanto quando ficar em casa pode ser lindo.

O importante seria aprender a ESTAR.

E por tudo isso este se tornou meu objetivo de viagem: ESTAR.

Devo dizer que desde que me dei conta disso até a mochila ficou um pouco mais leve.

Texto por: Olívia Maia

Na coluna Feelings traremos toda sexta-feita um novo texto para vocês, e se você quer participar basta nos mandar um texto feito por você para o email meutexto@colorindovidas.com com seu nome, idade e cidade. Quem sabe seu texto não aparece aqui para colorir a vida de mais pessoas. 😉

26 . Maio . 2016

O Colorindo na Estrada te apresenta esse mês o Mato Grosso do Sul! 

Esse belo estado se localiza na região Centro-Oeste do país e tem uma beleza encantadora. A região é um misto das características que compõem o Brasil, sua geografia, suas etnias e histórias, fazem com que o país que não tem um rosto, cor ou cultura padronizada, se encontre no seu extraordinário, uma verdadeira relíquia.

Uma das atrações do estado é a cidade de Bonito. Composta por uma vasta concentração de natureza e encantos, suas principais atrações são grutas, cavernas, rios, lagos e cachoeiras banhadas por água cristalina. Bonito faz parte do complexo turístico do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, além de ser o cenário ideal para quem curte o ecoturismo.

Uma de suas atrações é a Gruta do Lago Azul. O lugar realmente encanta com suas formações rochosas que moldam e transformam a gruta ao longo dos anos, do mesmo modo que as águas translucidas completam a bela pintura da paisagem natural. Sua descoberta se deu por um índio terena em 1924, uma das maiores cavidades inundas do mundo, e hoje é um dos cartões postais mais belos do país.

São 80 metros de profundidade e 120 metros de largura. É de tirar o fôlego! O passei dura cerca de 1h40 e os valores variam de R$45 a R$100 por pessoa. E crianças a partir de 5 anos.

 

2061111440880289

 

A culinária sul mato-grossense assim como seu território, tem grande participação de seus imigrantes e migrantes. Com uma variedade rica de peixes e combinações que deixam qualquer um com água na boca, uma de suas delicias trazidas pela expansão cultural do Paraguai é a Sopa Paraguaia. O fato curioso é que não é uma sopa liquida, mas sim sólida. E é uma delícia!

No tempo de guerras, os soldados costumavam trazer sopa para se alimentarem, mas com a correria e longas caminhadas, a comida derramava e quase não sobravam para que eles se alimentassem. Assim, resolveram colocar farinha para assegurar que teriam alimento e não mais derramaria.

É um prato típico do Mato Grosso do Sul e realmente é uma iguaria. Composto por farinha de milho, queijo e ovos.

sopa01

 

A cultura sul mato-grossense também é influenciada pelas qualidades paraguaia e pelas tribos indígenas quem compõem a região. O artesanato é uma das maiores atribuições criativas e patrimoniais. O uso das matérias primas locais, crenças e criatividade é expressa pelos seus trabalhos que em muitas vezes representam as cores das tribos, o Pantanal e as paisagens regionais. É uma forma de materializar a humanidade.

trançado2

Os meninos da Bella Xu são do Centro-Oeste e fazem um som bacana, confiram aqui o post que contamos essa experiência de outro planeta!

O Colorindo na Estrada te leva mais próximo de cada estado, cultura e povos do Brasil!

Qual região você quer ver aqui no próximo mês? Mande pra nós pelo contato@colorindovidas.com (:

Ate :*

26 . Abril . 2016

No mês passado começamos a nossa viagem pelo país juntos no estado de Sergipe (clique aqui para viajar pra lá). E este mês nós vamos explorar um dos estados mais visitados pelos gringos: Paraná. Escolhi este estado porque, além de ter a melhor cidade brasileira para se morar, de acordo com a Agência Classificadora Austin Ratings e pela revista IstoÉ, cada cidade que passo encontro um diferencial muito grande, e gosto de todas.

Paraná fica na região Sul do país e faz divisa com o Paraguay e Argentina, e as estações são mais bem definidas por lá, no verão é realmente calor e no inverno é realmente mais frio. O estado tem duas cidades muito bem faladas, Curitiba, que é conhecida como ”Cidade Modelo”, e Foz do Iguaçu que contém uma das sete maravilhas do mundo, as Cataratas do Iguaçu.

Vamos começar por Foz do Iguaçu que sei que é o sonho de muitos, posso ir mil vezes lá que sempre vou querer ir de novo, é uma cidade com muitos pontos turísticos mas não se engane por isso, você também consegue sair um pouco dos roteiros e fazer uma viagem ainda mais interessante e diferente.

Claro que não da pra visitar Foz sem ir as Cataratas, mas pra ter uma experiência mais única ainda você pode optar pelo passeio Macuco Safari, apesar do preço ser um pouquinho salgado, é um passeio de barco inesquecível que você pode chegar ainda mais próximo das quedas d’agua.

Macuco-safari-foz-do-iguacu

E fique de olho nas estradas de Paraná, pois lá não é tão difícil você encontrar castelos, nada tão grande como em filmes, alguns dizem até que são chalés, mas são lindos da mesma forma. Próximo a Foz do Iguaçu você consegue encontrar alguns e ainda visita-los, como o Castelletto Dal Pozzo que pertencia a uma família de italianos.

Foz-do-iguaçu-castelo

Na cidade de Curitiba há um lugar bastante conhecido pelos turistas e que eu não poderia deixar de falar, o Jardim Botânico, além de ter um jardim encantador por fora, dentro das estufas há uma enorme variedade de plantas e flores que com certeza valem muito a pena serem vistas.

A culinária Paranense é bem diversificada e tem influência de vários lugares, mas a carne barreada é um de seus pratos mais típicos. A carne barreada chegou ao estado pelos portugueses no século XVIII, e é composta por carne bovina, toucinho, frutas, e é feita em uma panela de barro.

Paraná-Barreado

Mas nem só de passeios e comidas é feito um estado não é mesmo?! A cultura do Paraná, é incrível, e você pode conhecer ainda mais através do Festival Internacional de Londrina, que acontece geralmente no meio do ano em Londrina, que conta com muitos espetáculos de música, teatro e dança.

Podemos também conhecer inúmeros museus e bibliotecas muito conhecidas, como o Museu Paranaense localizado em Curitiba, quem tem em seu acervo grandes obrar de arte, arqueologia, antropologia. A cidade de Curitiba contém também a Arena da Baixada, que foi um dos estádios que sediou a Copa do Mundo de 2014, e foi a cidade que deu início as ”prefs”, como são carinhosamente chamadas, que usam a linguagem da internet em suas redes sociais.

IMG_4424

Deixo vocês com essa foto no melhor lugar que já dormi. <3 hahaha

Se você gostou de conhecer mais do Paraná ou se você já foi lá, deixa um comentário aqui em baixo falando o que você mais gostou. E se você tem um estado ou cidade que gostaria de ver aqui no Colorindo Vidas mande para nós pelo contato@colorindovidas.com ou aqui nos comentários. 😉

22 . Março . 2016

(mais…)