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12 . Março . 2016

[Você pode ler esse texto ao som de Survivor – Clarice Falcão]

Eu quero não ser julgada
pelo comprimento da minha roupa.
Eu quero menos
relacionamentos abusivos,
menos homens cuspindo que sou louca.
Eu quero não ver outras mulheres
sendo mortas a cada hora
enquanto vocês gritam
que é vitimização,
que é história.
Eu quero não ter medo
de sair sozinha.
Eu quero que o meu “não”
seja respeitado,
porque eu sou minha,
só minha.
Eu quero igualdade salarial.
Eu quero ter liberdade
para ser o que eu quiser.
Eu quero o fim
dessa sociedade patriarcal,
machista,
que julga,
reduz
e mata,
que coloca toda a culpa
na vítima.
Suas flores não servem de nada
no mundo que a gente vive
se, nos outros dias do ano,
você me nega o direito
de ser livre.
Eu quero não ser chamada de puta.
Eu cansei de ouvir que não posso.
Eu não sou o sexo frágil.
Meu batom vermelho é cor de luta
e eu não vou tirar.

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Texto por: Madu Santos

Na coluna Feelings traremos toda sexta-feita um novo texto para vocês, e se você quer participar basta nos mandar um texto feito por você para o email meutexto@colorindovidas.com com seu nome, idade e cidade. Quem sabe seu texto não aparece aqui para colorir a vida de mais pessoas. 😉

04 . Março . 2016

[Você pode ler esse texto ao som de Let it go – James Bay]

Acordei e não tive aquela vontade de te pedir espaço, tudo que eu queria era abraçar você. Levantei, escovei meus dentes, limpei meu rosto e me deparei com a realidade de que antes de você ir, eu tinha tudo, amor e vida, e agora eu só tenho esse orgulho e o egoísmo que te fez partir.

Vesti meu terno e fui trabalhar, antes eu sempre conseguia cumprir o prazo, entregava tudo correto, era um trabalhador exemplar. Agora meus pensamentos me matam, você não sai deles. Você me sufoca e não tem nem noção disso.

Eu sempre fui o machão e te fiz coisas que te doeram tanto e eu me arrependo, porque a dor de não ter você me devora e me apavora a cada noite mal dormida, me consome e me destrói todas vezes que vejo casais nas ruas e percebo que tudo que eu deveria ter feito era te valorizar.

Ter feito você feliz, como você sempre mereceu. O problema é que eu nunca reconhecia o que você fazia por mim. Eu preferia manter a pose do cara que não sentia nada, do que me entregar ao mais profundo correndo o risco de se doer. E olha só agora, estou doendo, queimando por dentro.

Eu gritava e você ouvia em silêncio com esperança de que quando eu parasse a gente se beijasse e tudo ficaria bem. Essa esperança sua era um problema, você depositava em mim todas as expectativas, mesmo eu te ferindo todos os dias, você estava aguentando firme e não desistia.

Perder você me fez cortar cebolas.

Texto por Nathalia Masini.

26 . Fevereiro . 2016

Fitei meu olhar durante um longo tempo na árvore da praça, tinha um pequeno passarinho estampando inúmeros galhos secos, os sinais de caos eram abrangentes por toda a paisagem, era iminente que paz e guerra viviam sobre o mesmo território sem nenhum tratado. A esperança que residia nas flores já havia partido há muito tempo, e a morte se arrastara silenciosa pelo gramado como se fossem íntimos; nunca vi tamanha inquietude no mundo, tinha desleixe florescendo em todo canto. Eu não queria aceitar, mas parecia que o amor ao próximo estava vindo robotizado e com defeito de fábrica, todos seguiam sérios demais para nem sequer notar o que estava havendo.

Minha amiga chegou minutos depois e sentou-se ao meu lado, ficamos em balanços velhos encrustados de ferrugem. Ela estava aparentemente submersa num emaranhado de pensamentos, mas não demorou muito para começarmos a falar sobre o tênue limite da insanidade, nos alimentamos de comparações disfarçadas e risos frouxos a tarde toda. Dentro de mim havia uma quietude descontente, eu soube que a loucura é a única arma capaz de mudar o universo, foi quando me desvirtuei de muita coisa careta; agora sei que gosto pra caramba de gente meio louca ou totalmente maluca, esse tipo de estranheza sempre me pareceu cativante demais. Sei que o extraordinário pode ser assustador, porque nunca sabemos o quão perto estamos do abismo, as intensas sensações que nos consomem podem estar bem à frente de nós; amar o improvável e servir o jantar sem pôr a mesa é pura bizarrice pra alguns, eu não nego que essas metáforas sejam perigosas ou até mesmo fatais, mas a sensação singular de estar além da vida, sem inibições e disfarces, provém do desapego dessa tal normalidade. Nós temos o direito de andarmos sobres os trilhos ou fora deles, mas há riscos insanos por trás do que fazemos; nós podemos viajar sem rumo, mas o desconhecido pode ser traiçoeiro; devemos ignorar o medo de altura e sonhar como se tivéssemos asas. Acredito visceralmente que a essência do que somos possa ser a chave para os nossos mistérios, e é exatamente por isso que eu gosto desse pessoal, eles destrancam a porta com muita facilidade. É claro que admito que esteja encantado além da conta por esse feitio, apaixonado pela excentricidade que supera a mania de ser comum e que até destona a cor das estrelas.

Minha amiga e eu achamos que todo mundo devia encarar a possibilidade de cair e se arriscar, as pessoas deviam aceitar que são apaixonantes ainda que riam de um jeito desajeitado e mesmo que percam o controle disso. Acho que no final das contas, todo mundo está andando apático, seguindo um ritmo compassado e monótono. E sinceramente, não faço a menor questão de ser assim, não nasci pra viver preso numa gaiola de concepções que nunca foram minhas; quero regar as flores do meu canteiro e cuidar do que eu puder. Vi tanta beleza naquele passarinho que descobri algo primordial: eu sou uma dessas pessoas meio doidas.

20 . Fevereiro . 2016

Eu quero voltar, pra quando nada era sério
E o futuro era um mistério.

[Você pode ler esse texto ao som de Little Wonders – Rob Thomas]

Quem diria que eu, uma pessoa desapegada de tudo e de todos, ia se apegar… Não a uma coisa, não a uma pessoa, mas a um momento. É tão estranho como os melhores momentos da sua vida passam rápido, pode ser um dia, uma hora ou até um ano, mas você realmente só vai se dar conta de quanto tudo foi bom quando acabar, quando as mudanças começarem a acontecer.

Eu sei, pode ser um pouco normal se apegar a algum momento bom da sua vida, mesmo que você saiba que pra sempre serão apenas boas lembranças. E sei que o normal, é a cada dia criarmos mais e mais memórias e indo aos poucos desapegando das outras. Mas é ilógico depois de tantos e tantos anos sentir tanto apego a aquele momento? E talvez simplesmente apego do sentimento que você tinha ao estar lá, independente se o dia era de chuva ou de sol?

“Você tem uma sensação estranha quando está prestes a sair de um lugar.  Como você não só vai perder as pessoas que ama, mas como também irá perder a pessoa que você é agora, neste momento e neste lugar, porque você nunca mais vai ser assim.” – Azar Nafisi

Talvez eu simplesmente não queira me desapegar, talvez eu simplesmente não queira esquecer. E espero do fundo do coração, que nunca, nunca mesmo deixe de lembrar de tudo de bom que foi vivido.

Mas que saber? Pode passar quanto tempo for… Nós seremos infinitos!

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Na coluna Feelings traremos toda sexta-feita um novo texto para vocês, e se você quer participar basta nos mandar um texto feito por você para o email meutexto@colorindovidas.com com seu nome, idade e cidade. Quem sabe seu texto não aparece aqui para colorir a vida de mais pessoas. 😉

05 . Maio . 2015

Hoje vim falar sobre um problema que todos sabem bem que existe, mas acabamos agindo como se não soubéssemos, e pior… Acabamos, mesmo sem perceber, colaborando para sua existência.

Neste semestre tive um trabalho na faculdade (pra quem não sabe, faço Jornalismo) onde tínhamos que escolher um tema e criar um blog onde deveríamos fazer postagens somente a respeito deste tema. O tema que meu grupo escolheu foi a influência dos padrões de beleza, quem quiser acessar o blog clique aqui.

E mesmo sendo rodeados de artistas e campanhas que pregam que todos são bonitos do seu modo e devemos ficar felizes com isto, querendo ou não a mídia ainda exerce uma grande influência nos nossos padrões, principalmente de beleza. Mesmo que aquela ”magreza esquelética” não seja a mais mostrada por eles atualmente, os padrões vêm girando em torno do que muitos chamam de ”magreza saudável”, que nada mais é do que um corpo com mais curvas. Uma das grandes influenciadoras desse padrão são as irmãs Kardashians e as modelos da marca Victoria Secret’s, intituladas de ”anjos”.

E como o padrão, que até pouco tempo era ser muito magra, pode mudar tão de repente? Bom, vejamos… As Kardashians fazem um dos reality shows mais assistidos do planeta atualmente, e os desfiles das ”angels”, que contam com performances de artistas mundialmente conhecidos, têm se tornado cada vez mais conhecidos e assistidos pela sociedade, eles já até fizeram um anúncio escrito ”O corpo perfeito” estampando suas modelos. Será que isto tudo é uma grande coincidência ou a mídia está nos afetando sem nós percebemos?

”Mas Darah, isso é melhor do que aquele padrão que tínhamos que ser tão magros!” É, pode até ser melhor. Mas melhor não significa bom! Até quando vamos nos prender com o que as pessoas vão pensar se eu tiver ou deixar de ter alguns quilos? Se alguém lá fora vai te julgar pelo seu corpo ou característica física, tem algo de errado é com esta pessoa, não com você! E pode acreditar, na maioria das vezes ninguém está julgando ninguém, muito pelo contrário, nós mesmo nos auto julgamos por todo esse bombardeamento de ”corpos perfeitos” que a mídia lança.

Mas nem toda mídia é assim, por isso escolhi dois vídeos muito interessantes que duas grandes marcas fizeram contra os padrões de beleza.

A marca DOVE montou uma campanha em cinco países onde eles colocaram uma porta escrito bonita e uma do lado escrito comum e gravaram pra ver por onde as mulheres escolhiam passar. Isso é uma ótima forma para vermos como costumamos acreditar que se nós não estamos do jeito que a certas mídias pregam ser o ideal, nós não somos bons o suficiente. Uma mulher ainda disse que escolheu passar pela porta comum pelo fato de ser constantemente bombardeada e pelo o que os outros dizem, o que a fez pensar que deve aceitar ser considerada ”comum”.

Já esta marca de lingerie que chamou mulheres com diferentes tipos de corpos para fazer uma campanha intitulada #ImNoAngel (#NãoSouUmAnjo), indo contra a campanha da Victoria Secret’s. Na campanha as modelos dizem que são todas sexy, mas não são anjos, e dizem que seria muito chato se todos fossem iguais. Assista:

Mas apesar das mudanças nos padrões que a mídia nos empurra terem melhorado, ainda muito tem que ser mudado, pois estes corpos ideais só vão começar a ficar no passado quando cada um ficar realmente agradecido e bem ao exibir seu corpo do jeito que ele é. O que nos resta é lutar contra estes ideais e pregar para que o verdadeiro padrão de beleza seja ser feliz do jeito que se é.

Deixe sua vida mais colorida… Seja feliz do jeito que é!

“Aprenda diariamente a ter um caso de amor com a pessoa bela que você é, desenvolva um romance com a sua própria história. Não se compare a ninguém, pois cada um de nós é um personagem único no teatro da vida”
(CURY, 2005, p.1)

E qual é a sua opinião sobre os padrões impostos pela mídia? Acha que devemos aceitar? Conte pra gente aqui nos comentários. Espero que isso possa ter ajudado a colorir mais a vida de vocês. Xoxo ;*